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Novamente Geografando

Este blog organiza informação relacionada com Geografia... e pode ajudar alunos que às vezes andam por aí "desesperados"!

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ANTÓNIO OLIVEIRA, OLI: “O FUTURO PASSA POR ENCONTRAR AS ALTERNATIVAS ADEQUADAS À ÁGUA POTÁVEL”

Mäyjo, 02.07.15

Antoonio Oliveira_SAPO

Fundada a 1 de Março de 1954, em Aveiro, a Oli é hoje uma das empresas portuguesas que mais exporta – 80% da produção é exportada para 60 países – e uma das que mais patentes activas tem, cerca de 40.

Nos últimos anos, a empresa especializou-se em produzir autoclismos cada vez mais eficientes. “[A nossa entrada na inovação e sustentabilidade] iniciou-se, de forma contínua e consistente, em 1990. A primeira inovação traduziu-se na massificação da dupla descarga dos autoclismos, tornando comum um conceito de poupança de água”, explicou ao Green Savers o presidente da Oli, António Oliveira – na foto com o ex-ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira.

Hoje, a empresa testa a possibilidade de encaminhar a água da chuva para os autoclismos, o que reduzirá drasticamente o consumo de água na casa de banho. Leia a entrevista exclusiva do Green Savers ao presidente da empresa aveirense.

A Oli está a testar a possibilidade de a água da chuva poder ser encaminhada para os autoclismos. O que nos pode explicar desta tecnologia?

Sim, esse é o objectivo. No entanto, estamos ainda a analisar os comportamentos da água da chuva nos sistemas de instalação sanitária, uma vez que esta água não é pura, tem químicos e está sujeita a alterações à sua composição inicial. Neste momento, estamos fazer ensaios mecânicos de endurance em todos os nossos produtos. Cada um é testado em 200 mil ciclos.

Para quando esta tecnologia poderá ser uma realidade e o que isso implicará em termos de novos produtos e sistemas de instalação sanitária?

Pelo facto de os estudos ainda estarem a decorrer, não temos ainda essa informação.

A Oli vai investir €2 milhões, este ano, em inovação e investigação. Que percentagem deste valor será alocada para inovações que estejam ligadas com a sustentabilidade – sistemas de redução do consumo de água das descargas de autoclismos, por exemplo.

Mais de 50% do investimento fixado para este ano está relacionado com a redução do consumo de água nas instalações sanitárias.

A Oli exporta para mais de 60 países. Que mercados mais valorizam as tecnologias ligadas à inovação sustentável?

Os mercados que mais valorizam a inovação sustentável são os países desenvolvidos, sobretudo do norte da Europa.

Qual a vossa ligação à academia e centros de investigação portugueses?

Diariamente temos uma equipa de 20 colaboradores que se dedica inteiramente à Investigação e Desenvolvimento (I&D), sendo ela o principal interface de contacto e de trabalho conjunto com as várias universidades e centros de investigação nacionais.

Pelo segundo ano consecutivo, a Oli foi a empresa portuguesa que mais patenteou na Europa. Quantas patentes têm e como funciona o vosso processo criativo?

A Oli tem atualmente 40 patentes activas.

Quantas pessoas trabalham na Oli e quanto factura a empresa por ano?

A Oli integra hoje 360 colaboradores e obteve um volume de negócios, em 2014, de €43 milhões.

Por que razão trabalham 24 horas por dia e sete dias por semana?

A principal razão é a elevada procura dos nossos produtos por 60 países de todo o mundo.

Que percentagem dos vossos produtos é vendida para o mercado português? E lá fora, quais os vossos principais mercados?

Atualmente exportamos 80% da produção para 60 países dos cinco continentes. O peso das exportações reparte-se pela Europa – 63%; Médio-Oriente – 7% e América Latina – 2%. A Europa é o principal cliente, sendo Itália e França os principais mercados. Representam 24% das exportações.

Quando começou a ligação da empresa à tecnologia relacionada com sustentabilidade?

Podemos afirmar que o nosso investimento em inovação se iniciou, de forma contínua e consistente, em 1990. A primeira inovação traduziu-se na massificação da dupla descarga dos autoclismos, tornando comum um conceito de poupança de água. Anteriormente fazia-se apenas a descarga simples, independentemente da água necessária. Com a dupla descarga, o utilizador passou a ter a hipótese de poder escolher a descarga meia ou completa.

Onde vê a Oli dentro de 20 anos?

Esperamos que, daqui a 20 anos, a Oli seja responsável por um espaço de banho mais sustentável hidricamente e mais inclusivo, conferindo autonomia, conforto e segurança às pessoas com mobilidade reduzida.

Como será a nossa casa de banho em 2030?

O futuro passa, sobretudo, por encontrar as alternativas adequadas à água potável. É nisso que a Oli aposta e foi nesse sentido que realizou, este ano, um investimento de €500.000 na renovação dos laboratórios.

E quantos litros de água consumirão os autoclismos por dia?

Acreditamos que serão muito menos litros consumidos diariamente.

Qual a importância da sustentabilidade hídrica para o futuro do Planeta?

A importância é elevada. A água, e principalmente a água potável, é um bem cada vez mais escasso. Todas as inovações que permitam evitar o desperdício de água dão mais futuro ao Planeta.

A FORÇA DA OLI

Com 360 colaboradores e uma facturação de €43 milhões, a Oli produz  diariamente cerca de 7.800 autoclismos e 28.000 mecanismos, o que a  tornam, segundo a própria, na primeira a nível europeu na produção de  mecanismos para a indústria cerâmica e a segunda nas vertentes de  autoclismos interiores e exteriores. A empresa é liderada por António  Oliveira (na foto)

Fundada em 1954 como uma pequena empresa familiar, a Oli passou  por várias fases até chegar, nos anos 80, à criação de uma unidade de  produção de autoclismos. Em pouco mais de dez anos, o crescimento  sustentado levou-a à integração no Grupo Fondital, em 1993. Com sede  em Itália e um total de 2.600 colaboradores, o grupo está presente em  quatro sectores de actividade – aquecimento, alumínio, hidráulica e  cromagem e anti-fogo – e facturou, em 2013, mais de €807 milhões.

António Oliveira, presidente da Oli

EXCESSO DE SAL NO SOLO DESTRÓI TERRENOS DO TAMANHO DE MANHATTAN TODAS AS SEMANAS

Mäyjo, 02.07.15

Excesso de sal no solo destrói terrenos do tamanho de Manhattan todas as semanas

Um novo estudo da Organização das Nações Unidas (ONU) revela que o excesso de sal no solo destruiu, ao longo dos últimos 20 anos, cerca de 20% de todos os terrenos mundiais irrigados – uma área equivalente ao tamanho da França. Tal corresponde à destruição diária média de 2.000 hectares de plantações irrigadas em zonas áridas ou semiáridas espalhadas por 75 países nas últimas duas décadas.

Em 2050, a população mundial deverá atingir os 10 mil milhões de pessoas e, como tal, a civilização humana não se pode dar ao luxo de perder terrenos agrícolas férteis e aráveis. A quantidade de terra destruída pelo excesso de sal aumentou de 45 milhões de hectares, em 1990, para 62 milhões na actualidade.

A destruição de terrenos pelo sal acontece em zonas onde a precipitação é muito baixa para gerar um fluxo regular de águas pluviais através do solo e onde a irrigação é praticada sem um sistema de drenagem natural ou artificial. O sal começa então a acumular-se no solo, mesmo que a irrigação seja feita com a água mais fresca possível, e à medida que a água evapora, a partículas salgadas vão-se acumulando nos terrenos. Adicionalmente, as plantações filtram selectivamente o sal da água através dos seus sistema radiculares, concentrando ainda mais a carga de sal no solo, refere o Inhabitat.

O estudo, “Economics of salt-induced land degradation and restoration”, foi publicado na Natural Resources Forum. Adicionalmente, o documento revela ainda os custos extensivos da salinização, que incluem €21,9 mil milhões em perdas agrícolas por ano.

Foto: BITS_flux / Creative Commons